Entender a bronquiolite obliterante

A doença

A bronquiolite obliterante em poucas palavras

A bronquiolite obliterante (BO) é uma doença pulmonar crônica rara. Depois de uma agressão aos pulmões, as menores vias respiratórias, os bronquíolos, inflamam e depois cicatrizam, ficando estreitas ou obstruídas. O ar passa com mais dificuldade, principalmente na expiração, e essas lesões em geral são definitivas.

Ela não deve ser confundida com a bronquiolite do bebê, muito comum e que costuma passar em alguns dias. A bronquiolite obliterante é uma complicação rara e duradoura.

Três origens principais

Depois de uma infecção

É a forma da criança, chamada pós-infecciosa (BOPI). Surge depois de uma infecção respiratória grave, na maioria das vezes por adenovírus, às vezes por micoplasma ou outros vírus. É a doença do Gabriel.

Depois de um transplante de pulmão

Nesse caso é uma forma de rejeição crônica do enxerto, chamada síndrome da bronquiolite obliterante.

Depois de um transplante de medula

Pode aparecer após um transplante de células-tronco, como manifestação pulmonar da doença do enxerto contra o hospedeiro.

Mais raramente, pode surgir após a inalação de substâncias tóxicas ou acompanhar certas doenças autoimunes.

Sinais de alerta

Na criança, pensa-se nela quando, várias semanas depois de uma infecção respiratória grave, persistem:

  • tosse e chiado que não passam;
  • falta de ar, respiração rápida, cansaço ao esforço ou durante as mamadas e refeições;
  • necessidade prolongada de oxigênio;
  • infecções respiratórias repetidas e dificuldade para ganhar peso.

Esses sinais lembram a asma, e no início a doença costuma ser confundida com asma. A diferença: os tratamentos habituais da asma aliviam pouco. O tempo até o diagnóstico conta, porque um cuidado precoce pode ajudar a limitar as sequelas.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico se baseia na história da criança, no exame clínico, em uma tomografia de tórax (que mostra um aspecto típico “em mosaico” e ar aprisionado nos pulmões) e, quando a idade permite, em provas de função pulmonar. A biópsia pulmonar raramente é necessária. O acompanhamento é feito por um pneumologista, pediátrico no caso das crianças.

Scanner thoracique d’un enfant atteint de bronchiolite oblitérante post-infectieuse, avec zones sombres d’air piégé

Tomografia de tórax de um estudo com crianças com bronquiolite obliterante pós-infecciosa. As áreas mais escuras correspondem a ar aprisionado, ao lado de áreas mais claras: é esse aspecto irregular que os médicos chamam de “em mosaico”. Não é a tomografia do Gabriel.

Imagem : Xie B-Q et al., PLOS ONE, 2014, CC BY 4.0.

Quais tratamentos existem?

Hoje não existe tratamento que cure a bronquiolite obliterante. O cuidado busca acalmar a inflamação, proteger os pulmões e apoiar o crescimento da criança. Conforme o caso, a equipe médica pode indicar corticoides, certos antibióticos de uso prolongado pelo efeito anti-inflamatório, medicamentos inalatórios, fisioterapia respiratória, oxigênio ou ventilação não invasiva, acompanhamento nutricional e calendário vacinal completo.

Na criança pequena há um motivo de esperança: os pulmões continuam crescendo por anos, e em parte das crianças os sintomas diminuem com o crescimento, embora a lesão dos bronquíolos permaneça. As formas mais graves, porém, podem evoluir para insuficiência respiratória crônica, daí a importância de um acompanhamento regular.

Viver com a doença

No dia a dia, o principal desafio é evitar infecções respiratórias, que podem agravar as lesões: higiene das mãos, máscara em épocas de surto, vacinas em dia para a criança e para quem convive com ela, nada de cigarro em casa. É uma vigilância pesada para as famílias, e o isolamento que vem junto é uma das razões de existir da associação.

Perguntas frequentes

A bronquiolite obliterante tem cura?

Não, hoje não existe tratamento que cure a doença: as lesões dos bronquíolos em geral são definitivas. Por outro lado, um cuidado adequado ajuda a estabilizar a doença, e em parte das crianças pequenas os sintomas diminuem com o crescimento dos pulmões.

Qual é a diferença entre bronquiolite e bronquiolite obliterante?

A bronquiolite é uma infecção viral muito comum no bebê, que costuma passar em alguns dias. A bronquiolite obliterante é uma doença crônica rara: depois de uma infecção grave, as pequenas vias aéreas cicatrizam e ficam estreitas, e a dificuldade para respirar persiste.

A bronquiolite pode deixar sequelas no bebê?

Na imensa maioria dos casos, não: o bebê se recupera completamente. Sequelas duradouras são raras e acontecem principalmente depois de uma infecção muito grave, por exemplo por adenovírus. Se a tosse, o chiado ou a falta de ar persistirem por várias semanas depois da infecção, converse com o pediatra.

Qual é o tratamento da bronquiolite obliterante?

Não há um tratamento único. Conforme o caso, a equipe médica pode indicar corticoides, certos antibióticos de uso prolongado pelo efeito anti-inflamatório, medicamentos inalatórios, fisioterapia respiratória e, se necessário, oxigênio. O acompanhamento é feito por um pneumologista pediátrico.

A bronquiolite obliterante é contagiosa?

Não. É uma cicatriz deixada nos pulmões, não uma infecção. Contagiosos são os vírus respiratórios, e a criança afetada precisa ser protegida deles, porque uma nova infecção pode agravar as lesões.

Para saber mais

A BO Community, plataforma criada pela associação, oferece guias completos, um acompanhamento das publicações científicas resumidas em linguagem simples, relatos de famílias e uma lista de especialistas.

Esta página traz informações gerais escritas por pais. Ela não substitui a orientação médica. Para qualquer dúvida sobre a saúde do seu filho, converse com o pediatra ou o pneumologista.