Oi, aqui é o Gabriel

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⚠️ Este conteúdo é uma tradução automática do original em francês. Algumas expressões podem estar incorretas. Fique à vontade para me avisar se notar algo estranho.

Oi, aqui é o Gabriel.
Você deve conhecer o meu vovô da França.
Sabe… o Papy Robert?

Neste verão, ele foi embora por muito, muito tempo.
Quase três semanas!
Ele saiu de bicicleta de Belleville-en-Beaujolais, na França, e foi até o mar, em Nice.

925 quilômetros.
19.420 metros de subida.
19 montanhas.
Eu ainda não sei contar até aí… mas me disseram que é muito, muito, muito.

E o mais importante: ele não foi só para andar de bicicleta.
Ele foi por mim.

Eu tenho uma doença com um nome bem complicado: bronquiolite obliterante pós-infecciosa.
Isso quer dizer que meus pequenos brônquios ficaram machucados para a vida toda, que o ar às vezes tem dificuldade para passar, que tudo isso me deixa mais sensível aos vírus e que eu preciso de mais energia para respirar.

O Vovô tem uma bicicleta elétrica.
Ele diz que a assistência elétrica dele é um pouco como o meu oxigênio:
sem ela, ele não conseguiria subir as montanhas.

Me contaram que nas subidas, quando estava muito difícil, ele falava sozinho.
Ele dizia, em francês:
« Allez mon petit Gabriel… allez Bibi… on y va ! On y croit ! »
(« Vamos, meu pequeno Gabriel… vamos, Bibi… vamos lá! Vamos acreditar! » Bibi é o meu apelido.)
E cada vez que chegava no alto de uma montanha, ele dizia também:
« Un de plus dans la musette, mon Bibi ! »
(« Mais uma na musette, meu Bibi! » A musette é a sacolinha de pano que os ciclistas recebem com comida durante as corridas. Para o Vovô, cada montanha vencida era mais uma coisa guardada na sacola.)
Acho que ele encheu uma musette e tanto nessas três semanas!

E eu, enquanto ele pedalava, também pensava nele.

E então ele chegou em Nice.
Meus pais me mostraram as imagens da chegada.
Tinha até jornalistas e câmeras que ligaram para a gente para falar da minha história.

Mas a história não parou em Nice!

Na terça-feira seguinte, o Vovô voltou de trem até Belleville.
E aí…
SURPRESA!
Ele não sabia de nada.
Achava que ia simplesmente chegar na estação.
Mas na plataforma tinha um monte de gente esperando para dar os parabéns.
Amigos, famílias, pessoas que acompanharam a aventura dele…
E pelo que me disseram, quando ele desceu do trem, estava com uma cara de vovô surpreso de verdade!

As fotos e os vídeos da volta dele:
https://lescolsdusouffle.com/retour-belleville

E eu também tinha uma coisa para entregar a ele.
Preparei um diploma de super Vovô dos Cols du Souffle.
Porque depois de 925 quilômetros, 19 montanhas e 19.420 metros de subida, acho que ele merecia.

E mesmo depois de três semanas de bicicleta, o Vovô não pegou o carro para voltar para casa.
Ele fez o último quilômetro de bicicleta, com o amigo Thierry do lado e de chinelo, como aqui no Brasil.
Porque, convenhamos… um quilômetro a mais já não ia assustar ninguém!

E quando chegou em casa, ele comeu torta de mirtilo.
Um pedaço bem grande.
Porque isso ele também merecia!

Agora o Vovô está um pouco cansado.
Ele diz que é porque não come mais gel de carboidrato.
Eu acho que é mais porque ele fez 925 quilômetros.

Mas o mais importante: alguma coisa mudou

Nessas três semanas, muita gente falou da minha doença.
Na televisão, no rádio, nos jornais, na França…
E até no Brasil, o país onde a minha mãe nasceu e onde a gente mora.

Antes, quase ninguém conhecia a minha doença.
Agora temos contato com médicos, pesquisadores e famílias de vários países.
Mamãe e Papai dizem que talvez seja a coisa mais bonita que o Vovô trouxe da viagem.

Porque eu falo de mim e da minha doença, mas existem crianças no mundo inteiro com a mesma doença.
E como ela é rara e não tem cura, a pesquisa ainda é muito limitada.
Ainda tem tanta coisa que os médicos e os pesquisadores não sabem…

Então, se essa aventura puder ajudar a divulgar a doença, a conectar famílias e, um dia, a fazer a pesquisa avançar, o Vovô não terá pedalado à toa.

Então, obrigado

O Vovô pedalou.
Mas ele não fez tudo isso sozinho.
Por isso eu também quero dizer obrigado.

Obrigado às empresas e aos comerciantes da região do Vovô, que colocaram as suas cores na bicicleta dele quando, no começo, existia só uma ideia.
Obrigado à Região, ao Departamento e às cidades que o receberam pelo caminho.
Obrigado ao Crédit Agricole e às suas agências, que também pedalaram com ele.
Obrigado aos hotéis e às famílias que o hospedaram durante as dezesseis etapas.
Obrigado aos jornalistas, na França e no Brasil, como o Diário do Nordeste, que tiraram um tempo para ouvir a nossa história e contá-la.

Obrigado a todos que foram torcer por ele na beira da estrada ou que pedalaram ao seu lado.
A quem acompanhou as etapas de longe, do Brasil ou de outro lugar, e compartilhou.
A quem doou.
A quem eu talvez tenha esquecido de citar.

E também…
obrigado a todos que estavam na plataforma da estação.
O Vovô realmente não esperava.
E acho que esse momento ele nunca vai esquecer.

E tudo isso, para quê?

O dinheiro arrecadado com os Cols du Souffle vai ajudar a minha associação, a Hope For Gabriel.
Uma pequena parte pode servir para pagar algumas despesas ligadas à minha doença que os meus planos de saúde não cobrem.
O resto fica guardado na associação para ajudar famílias que enfrentam problemas grandes, como as que encontramos no ano passado, e para contribuir com projetos ligados à pesquisa sobre a minha doença.
Porque a gente espera de verdade que um dia os médicos e os pesquisadores encontrem soluções melhores para crianças como eu.

E graças a todas as pessoas que conhecemos durante essa aventura, agora temos novos contatos em vários países.
Então Mamãe e Papai esperam que, com tudo isso, a gente consiga avançar.
Se sentir menos sozinho.
Encontrar respostas.
Encontrar soluções.

E quem sabe um dia eu possa ter uma vida mais normal, sem medo o tempo todo de pegar um vírus.
Eu queria, acima de tudo, poder fazer coisas bem simples.
Ver as pessoas sem máscara.
Poder visitar a minha família na França, como a minha bisavó Jeannine e o meu outro vovô, o Christian.
Correr sem ficar sem ar.
Brincar com amigos.
E principalmente…
andar de bicicleta com o Vovô.

E depois da bicicleta, vamos pedir para a Vovó Michelle fazer uma torta de mirtilo, do jeito que o Vovô gosta.
E aí ela vai cantar para mim Les Marionnettes (uma cantiga infantil francesa), mas ao vivo, e não pelo telefone.
Eu ainda tenho muita coisa para descobrir, sabia?

E agora?

A aventura continua.

A gente vai contar o resto para vocês.
Porque o Vovô terminou os seus 925 quilômetros…
mas eu continuo o meu caminhozinho, onde preciso, todo dia, usar um pouco mais de fôlego para seguir em frente.

Beijos voadores (« Bisous volants », como a gente diz em francês),
Bibi

PS: Eu ainda não sei escrever, então foi o papai que segurou o teclado.

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