Olá, filho,
Resumo dos últimos dias.
(Quando isso vira uma novela?)
Comida, ainda e sempre
Do ponto de vista alimentar, é sempre uma cruzada.
Agora parece que funciona melhor com sua mãe.
Comigo é pior.
E com as moças que nos ajudam, depende.
Na verdade, é muito aleatório.
Temos sempre que fingir que lhe damos água para poder lhe dar comida. Uma pequena astúcia para contornar sua recusa, mas que o irrita a longo prazo.
Seu peso está mais ou menos o mesmo desde 14 de janeiro.
Minha teoria pessoal é que o problema talvez venha do fato de não podermos lhe dar mamadeira por causa de seus problemas respiratórios e porque você não sabe beber na mamadeira.
Somos obrigados a compensar com colher, com quantidades significativas. E para você, talvez seja demais. Então você nos afasta. E, de certa forma, isso é compreensível. Seu corpo talvez esteja simplesmente nos dizendo para parar. Mas bem, esta é a minha teoria.
Continuação do vírus
No nível respiratório, este último vírus não é intenso, mas deixa marcas. Uma espécie de dor de garganta com muitas secreções. É possível ouvi-lo quando você respira. É possível vê-lo quando você tosse. Você tem novamente uma grande lista de medicamentos, aerossóis, toda a artilharia habitual.
Para nós, é pesado lhe infligir tudo isso. Cada choro seu desencadeia em mim um ciclo de angústia e pensamentos negativos. E é ainda pior com o cansaço e o estresse. A boa notícia é que o psicólogo me deu algumas “dicas e truques”, haha.
Balanço imunológico
Esta semana, também recebemos os resultados do seu balanço imunológico.
A boa notícia é que não foi detectada nenhuma alergia. Nem a ácaros, nem a mofo, nem a animais. O que vai nos ajudar no dia a dia.
Seu sistema imunológico está muito ativo. Não é um sistema colapsado. Não é uma catástrofe. É um sistema que luta. Seu corpo trabalha muito, especialmente a parte ligada aos seus pulmões.
Seus anticorpos estão globalmente dentro das normas, mesmo que alguns estejam na parte mais baixa. Nada alarmante. Mas também nada que nos permita relaxar a vigilância.
Você ainda não está protegido contra a hepatite B e não tem imunidade contra a rubéola. São coisas que vamos rever com os médicos, com calma.
Stranger Things no apartamento
Desde que estamos neste apartamento, ouvimos regularmente estalos estranhos.
Pensávamos que era a geladeira.
Na quarta-feira à noite, um pedaço do azulejo na sala onde você brinca no chão saiu do lugar. Depois, no dia seguinte, às 6h, uma espécie de explosão ressoou.
Você estava comendo com a Tia Nil na varanda e eu estava no escritório.
Eu pensei que você tinha caído. Ela pensou que eu tinha caído.
Quando cheguei à sala, o piso de cerâmica havia estourado para cima. Ao caminhar, as peças se quebravam sob nossos pés. Pessoalmente, eu nunca tinha visto isso.
Mas em termos de construção, acredito que o Brasil sempre terá como me surpreender!
(e ao mesmo tempo na Europa nos queixamos das normas, paradoxal, não?)
De acordo com a administração, trata-se de um problema de rejunte de má qualidade com um azulejo de má qualidade. Todos estão cientes, inclusive o proprietário. Isso já aconteceu com muitos apartamentos no prédio.
Havíamos sinalizado desde o início que os azulejos estavam descolando em seu quarto e no nosso. O proprietário se propõe a trocar tudo.
Mas… é impossível para nós fazer obras com você aqui. Precisamos evitar qualquer poeira para seus pulmões.
Estamos presos. Não podemos mais usar a sala. Tentamos encontrar soluções, mas estamos claramente limitados financeiramente também.
E como um problema nunca vem sozinho, seu concentrador de oxigênio quebrou no mesmo dia. Momento perfeito. Felizmente, a empresa que fornece o equipamento via seguro foi muito eficiente e o substituiu.
Paralelamente, seu tio Rafael fez um trabalho incrível em casa, a 4 horas daqui. Ele reduziu a umidade e protegeu a parede do seu quarto que estava exposta às intempéries. Um imenso obrigado a ele. Ele realmente se superou.
Então você pode estar pensando:
Por que não voltamos para casa?
Porque nada é simples. Devemos garantir que tudo será compatível com a sua saúde.
Cada decisão tem um custo. Financeiro. Logístico. Médico.
Estamos diante de uma situação delicada. Medimos cada risco. Buscamos a opinião dos profissionais que nos acompanham. Esperamos definir uma solução até o final da semana.
A guerra continua…
Mas na batalha, você pode ter certeza de uma coisa: nós te amamos, minha pequena batata.
Papai.