11h57
Gabriel passou a noite com seu pai e depois com sua mãe.
Por volta da meia-noite, peguei Gabriel em meus braços para um momento de conforto. Mas logo percebi um ruído estranho, como um ronco profundo. Chamei a fisioterapeuta de plantão, cuja empatia lembrava a de uma porta de prisão. Ela explicou que ele tinha secreções, o que é comum em sua situação. Ela lhe fez uma sucção pelo nariz e pela boca, e foi aí que me assustei: havia sangue nas secreções.
Felizmente, ela me tranquilizou (sempre com sua lendária empatia), explicando que, na manhã anterior, um septo nasal já havia sangrado levemente durante uma aspiração. De minha parte, acho que isso também se deve ao fato de ele não ter recebido oxigênio aquecido e umidificado por dois dias, depois de dois meses de oxigênio aquecido. O narizzinho frágil dele seca mais facilmente com oxigênio em temperatura ambiente.
Em suma, não era tão sério de acordo com eles, mas era francamente impressionante na época.
Outro momento surpreendente: alguém mudou seu fluxo de oxigênio sem nos avisar. A configuração foi alterada de 1 para 2 litros, sem que soubéssemos quem a havia alterado. Nem o médico nem o fisioterapeuta pareciam estar por trás dessa mudança. Nada dramático, mas misterioso…
Apesar de tudo isso, a noite foi estável. Sem febre na noite passada (só um pouco na noite passada, como eu disse), um nível de saturação decente e, acima de tudo, um Gabriel cada vez mais bonito, que está começando a desenvolver bochechas lindas!
Boas notícias esta manhã: seus exames de sangue mostram que a infecção está diminuindo e a radiografia do tórax está melhor, de acordo com o médico em Nice que está monitorando seu caso remotamente.
Estamos esperando para ver o que os médicos têm a dizer esta tarde.
19h58
Esta tarde, quando cheguei à UTI, tive um pequeno choque: Gabriel estava deitado de barriga para baixo. A última vez que eu o vi nessa posição foi em uma situação crítica, quando ele não conseguia respirar. Vê-lo novamente me trouxe lembranças dolorosas, e eu reagi muito mal.
Rapidamente perguntei o que estava acontecendo. A equipe explicou que se tratava de um teste para ajudar a limpar os pulmões e aliviar um pouco a vermelhidão, já que ele passa muito tempo deitado de costas. Mas só recebi uma confirmação tranquilizadora do médico duas horas depois. Nesse meio tempo, tive um pequeno momento de pânico, agravado pela presença no quarto de uma assistente de cuidados que não era muito rigorosa e não tinha máscara. A mesma que havia deixado Gabriel com uma temperatura de 32 graus…
Finalmente, o médico explicou que Gabriel estava bem e que essa posição fazia parte de um teste.
O outro médico também me deu uma boa notícia: se os próximos resultados continuarem positivos, Gabriel logo poderá sair da terapia intensiva. Eu me emocionei.
À tarde, consegui pegá-lo no colo. Sua respiração ainda é irregular, com uma corrente de ar profunda, como quando ele teve bronquiolite. Ele precisará de fisioterapia e monitoramento para melhorar isso gradualmente.
Nesta noite, começamos a organizar sua alta. É imperativo que ele fique em um quarto individual e que seja acompanhado minuciosamente (não como quando chegamos).
Gabriel receberá alta com uma sonda gástrica que passa pelo nariz para alimentação, um cateter PICC no pescoço para continuar com os antibióticos (por mais 15 dias), uma cânula de oxigênio, dois meses de corticosteroides e muitos exames que estão por vir: exames genéticos, neurológicos e oftalmológicos, etc.
Depois, quando ele receber alta do hospital, em algumas semanas, haverá um grande acompanhamento com uma equipe multidisciplinar: pneumologistas, fisioterapeutas, nutricionistas, etc.
O objetivo é que ele retorne gradualmente a uma vida normal, como um menino feliz e em forma, o mais rápido possível.
Obrigado por continuar a nos acompanhar nessa aventura.
Até amanhã para mais notícias do nosso campeão Gabriel!